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    GORAKSHA

    PADDHATIaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

    Texto Extrado do Livro:

    A Tradio do Yoga Histria, Literatura, Filosofia e Prtica.

    Traduo e Comentrios Por:

    Georg Feuerstein

    Estude mais em:http://yogaestudoscomplementares.blogspot.com/

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    GORAKSHA-PADDHATI

    A importncia do Goraksha-Paddhati ("Rastros de Goraksha") pode ser medida pelofato de que muitos dos seus versculos acham-se dispersos pelos textos posterioresde Hatha-Yoga. No provvel, porm, que tenha sido escrito pelo prprioGoraksha, pois seus conceitos e sua linguagem encaixam-se mais nos sculos XIIou XIII do que no sculo X. O texto agora traduzido na ntegra pela primeira vez,a partir da edio em snscrito de Khemarja Shrikrishnadsa (Bombaim).

    Georg Feuerstein

    PARTE I

    1.1: Prostrando-se perante o abenoado dintha - seu prprio mestre, Hari, sbioe yogin -, Mahidhara forcejou por apresentar um comentrio doutrina (shstra)de Goraksha, que proporciona o reto entendimento do Yoga.

    Comentrio: Este versculo de abertura deve ser uma interpolao, pois noterceiro versculo o autor identificado como Goraksha. O nome Mahdhara, que

    significa "Sustentador da Terra", pode referir-se ao famoso mestre de Yoga dosculo XVI que escreveu o Mantra-Mahodadhi junto com o comentrio a essemesmo texto, a Nauk. A literatura do Hatha-Yoga cheia de incongruncias emuitos textos contm fragmentos de outros escritos.

    1.2: Venero o mestre bendito, a bem-aventurana suprema (parama-nanda) que uma encarnao da bem-aventurana intrnseca (sva-nanda) e cuja simplesproximidade basta para que [meu] corpo fique feliz e consciente.

    Comentrio:A tradio afirma em unssono que o mestre de Goraksha foiMatsyendra. Neste versculo, ele equiparado bem-aventurana sem mistura daRealidade suprema, a menos que interpretemos parama-nanda como o nome

    prprio de um outro indivduo, que no Matsyendra.

    1.3: Saudando devotamente seu mestre como suma sabedoria, Goraksha expe oque se deve fazer para provocar a suprema bem-aventurana nos yogins.

    1.4: Desejoso de fazer o bem aos yogins, manifesta ele o Goraksha-Samhit. Quemo compreender chegar sem dvida ao Estado supremo.

    1.5: ele uma escada que leva libertao, um [meio de] enganar a morte, pelaqual a mente afastada dos prazeres (bhoga) e vinculada ao Si Mesmotranscendente (parama-tman).

    1.6: Os melhores dentre os melhores recorrem ao Yoga, que o fruto da rvore darevelao (shruti) que atende a todos os desejos, cujos ramos abrigam os nascidosduas vezes, que pacifica as tribulaes da existncia. (1.6)

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    Comentrio: Temos neste versculo um jogo com a palavra dvija, que significa"nascido duas vezes" e "pssaro". Os nascidos duas vezes so os que receberamdevidamente o cordo sagrado e tm o direito de estudar as Escrituras reveladas. semelhana de pssaros, eles repousam nos ramos do conhecimento vdico ealimentam-se do fruto delicioso da sabedoria perene.

    1.7: Afirmam eles que os seis membros do Yoga so a postura, a conteno darespirao (prna-samrodha), o recolhimento dos sentidos, a concentrao, ameditao e o xtase.

    1.8: Existem tantas posturas quantas so as espcies de seres. [S] Maheshvara[i.e., Shiva] conheece-lhes toda a variedade.1.9: Das 840.000, mencionou-se uma para cada [10.000]. Assim, criou Shivaoitenta e quatro assentos (ptha) [para os yogins].

    1.10: Dentre todas as posturas, duas so especiais. A primeira chamada apostura do heri (siddha-sana) e a segunda a postura do ltus (kamala-sana).

    1.11: [O yogin] deve pr firmemente um calcanhar [i.e., o esquerdo] junto aoperneo (yoni-sthna) e o outro sobre o pnis, encostando o queixo no peito(hridaya). Contendo os sentidos como um tronco de rvore, deve dirigir fixamenteo olhar para o [terceiro olho] entre as sobrancelhas. Esta chamada a postura doheri, que abre as portas da libertao.

    1.12: Colocando a perna direita sobre a [coxa] esquerda e a [perna] esquerdasobre a [coxa] direita, segurando com fora os dedes dos ps com as moscruzadas por trs das costas, juntando o queixo ao peito, deve ele fixar o olhar naponta do nariz. Esta chamada a postura do ltus [baddha ou "travada"]' queelimina doenas de vrias espcies.

    1.13: Como podem chegar a bom xito os yogins que no conhecem as seis rodas,os dezesseis apoios ou suportes, os 300.000 [canais] e os cinco teres/espaos noprprio corpo?

    Comentrio:As seis "rodas" ou centros psicoenergticos (shat-cakra) so osfamosos mldhra (na base da coluna), svadhishthna (nos rgos genitais),manipra (no umbigo), anhata (no corao), vishuddha (na garganta) e jn (nomeio da cabea). O Siddha-Siddhnta-Paddhati (2.10) menciona os seguintesdezesseis suportes (shodasha-dhra; escreve-se shodashdhra): os dois dedesdos ps, o perneo (mla), o nus, o pnis, o baixo abdmen (udyna), o umbigo, ocorao, a garganta, o "sino" (ghantik, que corresponde vula), o cu da boca, alngua, o ponto mdio entre as sobrancelhas, o nariz, a base do nariz e a testa. Os300.000 canais (nd) que tecem o corpo sutil so os dutos da fora vital. Dentreeles, os mais importantes so o canal central (sushumn), o canal lunar (id) e ocanal solar (pingal). Os cinco teres ou espaos (vyoman) so outras tantas

    percepes vogues do espao da conscincia.

    1.14: Como podem chegar ao sucesso os yogins que no sabem que seu corpo uma morada de um nico pilar como nove aberturas e cinco divindades(adhidaivata)?

    Comentrio:O pilar nico o tronco e as nove aberturas so os olhos, os ouvidos,as narinas, a boca, o nus e a uretra. As cinco divindades so os cinco sentidos.

    1.15: O "apoio" [i.e., o ltus muldhra na base da coluna] tem quatro ptalas. Osvdhishthana tem seis ptalas. No Umbigo h um ltus de dez ptalas e, no

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    corao, [um ltus que tem tantas] ptalas quantos so os [meses] solares, [i.e.,doze].

    1.16: Na garganta h um [ltus] de dezesseis ptalas e, entre as sobrancelhas, um[ltus] de duas ptalas. Na fissura de Brahma (brahma-randhra), no grandecaminho, [h um ltus] chamado "das mil ptalas".

    1.17: O "apoio" (dhra) o primeiro centro; svdhishthana o segundo. Entreeles fica o perneo, chamado kma-rupa.

    Comentrio: O nome kma-rupa significa literalmente "formado de desejo". tambm a denominao de uma certa regio geogrfica famosa pela intensidade da

    prtica e do estudo do Tantra, identificada como o Assam. No corpo humano, essenome tambm designa um lugar sagrado, um ponto de poder, que abriga em sitanto o potencial de libertao quanto o de auto-destruio.

    1.18: O ltus de quatro ptalas chamado "apoio" fica no lugar do nus (guda-sthna). Afirma-se que no meio dele fica o "tero" (yoni) que os adeptos

    reverenciam sob o nome de desejo (kma).

    Comentrio: O termo tcnico yoni pode significar tanto o perneo quanto umaestrutura energtica esotrica associada kundalin. Neste ltimo caso, o "tero"que recebe o falo ou o smbolo (linga) de Shiva, como afirma o versculo seguinte.

    1.19: No meio do "tero" fica o grande falo ou smbolo [de Shiva], voltado paratrs. Aquele que conhece o disco que, na cabea deste [falo], como uma jia[brilhante], um conhecedor do Yoga.

    Comentrio: Yoni e linga representam respectivamente Shakti e Shiva. Osimbolismo sexual oculta uma majestosa realidade csmica: a eterna interao

    entre o poder feminino e a conscincia masculina, que esto sempre unidos nonvel transcendente mas parecem separados no nvel emprico. O disco ou espelholuminoso (bimba) mencionado neste versculo representado como atado "cabea" (mastaka) do falo simblico de Shiva. Provavelmente significa aluminosidade intrnseca do linga, que se reflete sobre ele mesmo - um sinal da

    perfeita autonomia de Shiva.

    1.20: Abaixo do pnis fica a triangular cidade do fogo, fulgurante como o raio esemelhante ao ouro derretido.

    1.21: Quando, [imerso] no grande Yoga, no xtase, [o yogin] vislumbra a Luzsuprema, infinita e onipresente, [j] no sofre do ir e vir [i.e., nascimentos emortes no mundo finito].

    1.22: A fora vital desperta com o som sva. O local de repouso dessa [fora vital] o svdhishthna [cakra]. Desse local o pnis, chamado svdhishthna, tira seunome.

    1.23: O local onde o "bulbo" (kanda) afixa-se sushumn [i.e., ao canal central]como uma prola num fio chamado manipuraka-cakra.

    1.24: Enquanto a psique (jva) vagar pela grande roda de doze raios [no corao],que livre do mrito (punya) e do demrito (ppa), no poder encontrar aRealidade.

    Comentrio:Afirma-se que a psique, a conscincia individuada, vaga inquietapelas ptalas do ltus do corao, movida pelo prprio karma e agrilhoada pela

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    1.39: Movida por prna e apna, a psique sobe e desce pelos canais da esquerda eda direita, [muito embora] no possa ser vista em virtude da sua mobilidade.

    1.40: Assim como o falco amarrado por um fio pode ser trazido de volta depois delevantar vo, assim tambm a psique, amarrada pelas qualidades (guna) [da

    Natureza], pode ser trazida de volta por meio [do controle] de prna e apna.

    1.41: Apna puxa o prna e o prna puxa apna. [Essas duas formas da fora vital]situam-se [respectivamente] acima e abaixo [do umbigo]. O conhecedor do Yogaune a ambas [para despertar o poder da serpente].

    1.42: [A psique] sai [do corpo] com o som ham e entra de novo nele com o somsa. A psique recita continuamente o mantra "hamsa hamsa".

    Comentrio: Essa recitao natural e espontnea causada pela sucesso dainspirao e da expirao, chamada ajapa-gyatri. Quando o yogin empreendeconscientemente essa recitao, hamsa hamsa hamsa converte-se no mantra

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