swami harshananda - canções do arati

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CANES DO RATISwami Harshananda

RAMAKRISHNA MATH

NDICE Khahana-bhava-bandhana-stotram .................................... 03 O-hr-ta-stotram............................................................ 23 Sarvamagala-stotram............................................................ 34 Prakti-param-stotram...................................................... 39

KHAANA-BHAVA-BANDHANA-STOTRAM (Hino rtrika sobre Sri Ramakrishna)

Por Swami VivekanandaINTRODUO As escrituras hindus propem a doutrina dos quatro pururthas ou fins a serem alcanados na vida pelos seres humanos. Eles so: Dharma (retido), artha (riqueza), kma (prazeres fsicos), e moka (libertao da existncia transmigratria). Entre estes, o ltimo, moka, considerado como o mais elevado, e sendo descrito como o paramapururtha por excelncia. Das vrias disciplinas espirituais prescritas nas escrituras para o auxlio de moka, bhakti ou devoo considerada ser a mais fcil e a mais eficaz. O rmad Bhgavata, a jia mais valiosa entre tais escrituras que advogam a senda de bhakti, retratam-na como de nove tipos: ravaa (ouvir os nomes e as glrias de Sri Viu), krtana (cantar os nomes e as glrias do Senhor), smaraa (record-Lo), pdasevana (servir Seus ps), arcana (oferecer culto ritualstico para Ele), vandana (reverenci-Lo), dsya (atitude de um servo para com seu mestre), sakhya (atitude de um amigo para com outro amigo), tmanivedana (dedicao total de si mesmo ao Senhor) (vide 7.5.23). Desses nove modos, somente krtana que cativa facilmente todas as mentes, j que ela est em forma de msica. Para ser perfeita, tal msica devocional deve ter seis aspectos: shitya ou bom texto; ruti ou fundo de harmonia dos instrumentos musicais; rga ou melodia; laya ou ritmo; tla ou compasso; e bhban ou sentimento. Onde quer que tenha uma semelhante msica perfeita, interpretada por uma pessoa dotada de uma bela e doce voz, podendo encantar at mesmo animais, no h nada de estranho o fato dela enlevar as mentes dos devotos de Deus. O efeito produzido por tal msica devocional, especialmente no amanhecer e no crepsculo, indescritvel. exatamente por esta razo que o canto dos hinos suprabhtam (literalmente, bom dia), no princpio das manhs e os hinos rtrikam (anoitecer) tem sido entoados em muitos de nossos templos e lugares de adorao no decorrer dos sculos. Depois de estabelecer o monastrio principal do Ramakrishna Math em Belur, Swami Vivekananda introduziu certos rituais que agora tornaram-se uma tradio em todos os centros filiados tambm. Um destes rituais um pequeno culto para Sri Ramakrishna no fim da tarde, seguido de movimentos

ondulatrios com uma lamparina e outros materiais do pj perante a deidade, e acompanhamento musical. O prprio Swamiji comps a letra desta cano, e tambm ajustou-a para msica. Ela agora bem conhecida como Khaana-bhava-bandhana-stotra, e cantada em todo o mundo nos monastrios da Ordem Ramakrishna, durante o servio vespertino. Sendo que um entendimento mais completo e profundo deste belo texto ajudar a transformar o ato de cantar num ato de contemplao, uma modesta tentativa foi feita aqui para expor o referido texto aos leitores. significativo notar aqui que em nenhum lugar deste hino Swamiji mencionou Sri Ramakrishna pelo nome. Os diversos adjetivos por ele usados so to gerais que eles podem ser aplicados a qualquer encarnao ou aspecto de Deus. No entanto, cada deles ajusta-se admiravelmente com a personalidade de Sri Ramakrishna. Enquanto comentamos, citaes das escrituras bem como eventos da vida de Sri Ramakrishna iro sendo apresentados, tanto quanto possvel, para evidenci-los e elucid-los.

khaana-bhava-bandhana jaga-vandana vandi tomy nirajana nararpadhara nirgua guamay

1. Destruidor da cadeia do sasra! Adorado pelo mundo! Saudaes para ti! (Tu s) imaculado! (Tu) tomaste a forma humana! (Tu ests) alm das guas! (E contudo tu s) pleno de guas abenoadas!COMENTRIO

Khaana-bhava-bandhana (destruidor da cadeia do sasra): Bhava significa sasra, ou existncia transmigratria. Isto em si mesmo bandhana, ou escravido. Nossa natureza essencial o tman, a alma. Sendo livre de nascimento, crescimento, mudana, decadncia ou morte, este tman eterno e imutvel. o corpo que est realmente sujeito a nascer, envelhecer e morrer. Mas, de alguma maneira, temos erroneamente identificado ns mesmos com o corpo, e sobreposto todas suas limitaes e fraquezas sobre ns mesmos. Isto devido a ajna ou avidy, nescincia ou ignorncia, cuja a origem jamais pode ser conhecida, mas que pode sempre

ser destruda ao adotar os meios corretos. Tomar refgio em Deus o modo mais fcil e eficaz para destruir esta ajna. O Kaha Upaniad (2.23) diz que o tman revela-Se para aquele a quem Ele escolhe. Assim, quando tomamos refgio n'Ele, o Senhor pode presentearnos com jna (conhecimento) ou bhakti (devoo), ambos dos quais so igualmente capazes de realizar isto. Ou Ele pode abenoarnos com manuyatva (nascimento humano), mumukutva (desejo por emancipao), e mah-purua-samraya (refgio concedido aos grandiosos), que rapidamente nos conduzir iluminao e libertao (vide Vivekacmai de ankara, 3) rompendo com nossas correntes do sasra. Portanto, o Senhor que destri definitivamente nossa escravido da existncia transmigratria. Sendo que Sri Ramakrishna concedeu liberao para Narendra (Swami Vivekananda) atravs de jna, e Girish e est auxiliando os buscadores comuns como ns, com os j mencionados, o termo Khaana-bhava-bandhana admiravelmente. buscadores como atravs de bhakti, trs pr-requisitos aplica-se a ele

Jaga-vandana (adorado pelo mundo): Deus, sendo o criador e sustentador deste mundo, o Princpio Paterno-Materno. Ele que nos oferece a sabedoria dos Vedas para nossa emancipao (vide vetvatara Upaniad, 18). Portanto adequado que Ele seja adorado por toda a criao. Nossa tradio mitolgica contm inumerveis hinos de louvor dirigidos para o Deus Supremo, no somente pelos seres humanos, mas tambm pelos deuses e semi-deuses.Por sua inspiradora vida e pensamentos luminosos, bem como tambm pelas tremendas realizaes de seus ilustres discpulos, como Swami Vivekananda e Swami Brahmananda no campo religioso-espiritual, Sri Ramakrishna est sendo agora cultuado como uma encarnao de Deus em milhes de lares em todo mundo. Ele portanto tornou-se jaga-vandana tanto em letra quanto em esprito.

Nirajana (imaculado): Ajana mancha, impureza, ou pecado. Nirajana aquele que imaculado, sem pecado, e portanto puro. O pecado acomete quele que controlado por my (iluso e nescincia). Sendo que Deus o Senhor de my, Ele intocado por ela para sempre, assim como uma cobra nunca afetada por seu prprio veneno.O refro dos ensinamentos de Sri Ramakrishna Kma-kcana-tyga, renncia da luxria e da ganncia. Ele as tinha praticado, tanto literalmente como espiritualmente. Em consequncia, ele tinha se tornado a verdadeira personificao desse princpio. Sua vida um dos mais raros exemplos de absoluta pureza. Sendo assim, ele Nirajana, no sentido mais real.

Nararpadhara (produz uma forma humana): um ser humano chamado

de nara quando ele inevitavelmente conduzido por seu karma (resultado de aes passadas) para um nascimento humano - nyate karmaphalena iti nara. Mas quando Deus, que o Karmdhyaka, a divindade que preside sobre os destinos de todos os seres viventes, decide tomar a forma, Ele assim o faz por Sua livre vontade; e my evolui sob Seu comando para produzir um corpo que serve para Seu melhor propsito. Compaixo pela humanidade sofredora a causa-raiz de Sua encarnao. Destruir adharma (iniquidade) e erguer dharma (retido) so os dois propsitos de uma Encarnao. Os pais de Sri Ramakrishna tiveram vrias experincias sobrenaturais antes de seu nascimento. Ele mesmo tinha declarado perante Narendranath (Swami Vivekananda) que aquele tinha sido Rama e Krishna era agora Ramakrishna 'neste' corpo. Muitos que meditaram em Sri Ramakrishna foram abenoados em suas vises. Ele agora amplamente aceito em todo mundo como Deus feito homem, 'nararpadhara', Nryana.

Nirgua (isento de guas): A palavra 'gua' em snscrito tem vrios sentidos: lao, secundrio, as trs guas da filosofia Samkhya-Vedanta, e qualidade. 'Lao' significa aquilo que prende. Sendo que Deus est alm de toda limitao, Ele 'nirgua'. Os aivgamas (tratados filosficos que aceitam iva como Deus Supremo) descreve o jva, ou a alma encarnada, como pau (animal), e Deus como paupati, o Senhor dos paus, ou almas atadas. Sendo paupati, Deus considerado como 'nirgua'. Sendo que Deus a Causa sem causa, da qual toda a criao emerge, Ele mukhya, ou a fonte primordial. Tudo o mais, tendo surgido d'Ele, gua', ou secundrio a Ele. Deste modo, Ele sem 'segundo', Ele 'nirgua'.De acordo com a metafsica Samkhya-Vedanta, toda a criao surge da prakti (natureza) ou my (poder de iluso) que consiste de trs guas sattva, rajas e tamas. O purua ou tman (a alma sempre identificada com Deus), asaga ou desapegada, e portanto no influenciada por essas guas. Ele portanto corretamente chamado 'nirgua', no afetado por estas trs guas. Uma qualidade somente pode ser atribuda quelas coisas que podem ser apreendidas pelos rgos dos sentidos e pela mente. Sendo que Deus transcende a 'fala e a mente' (vide Taittirya Upaniad, 2.9), Ele 'nirgua', ou sem qualidades. J que Sri Ramakrishna foi aceito por seus devotos como um avatra, ou Encarnao de Deus, todos estes adjetivos aplicveis a Deus so adequados a ele tambm, em seu aspecto transcendental.

Guamay (cheio de guas): O adjetivo anterior 'nirgua' pode induzir-nos a concepo de que Deus como serragem, um nada inodoro e inspido. Da este termo 'guamay', pleno de guas, ou abenoadas qualidades. O Taittirya Upaniad (2.7) descreve-O como 'raso vai sa', 'Ele

verdadeiramente a bem-aventurana!' Ele a origem e o repositrio de toda qualidade nobre, notvel e abenoada que ns podemos conceber, e muito mais. J que a criao inteira veio d'Ele, tudo o que ns vemos e reconhecemos como bom, importa